Ensinamentos dos Mestres

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Sri Prem Baba

A prosperidade e o medo da escassez  

“Assim como a criança se apropriou da energia sexual e fez dela um instrumento de domínio sobre o outro, o mesmo nós temos feito com o dinheiro. Temos usado o dinheiro para agregar valor a uma falsa idéia de eu. Se eu tenho dinheiro, eu tenho poder. Se eu tenho dinheiro, eu tenho poder sobre o sexo e tenho poder sobre o outro. Vocês estão lembrados da nossa conversa sobre o eu idealizado, o eu que foi criado em função do outro? Aquele eu que foi treinado para ser perfeito, para conquistar o outro? Esse eu idealizado tem três pés: sexo, dinheiro e poder. Você foi condicionado a acreditar que, se tem dinheiro, tem poder sobre o outro. Assim, você dedica a sua vida a procura de dinheiro para ter poder sobre o outro porque acredita que, se tiver dinheiro, você é mais e o eu idealizado se torna mais forte. Você colocou o dinheiro em primeiro lugar. O dinheiro se tornou o seu Deus. Você fez isso para encobrir um profundo sentimento de impotência. O eu idealizado é uma máscara que está encobrindo uma falta de sentido na vida; uma profunda carência que vem dessa falta de referência de quem é você. É assim que você se move no mundo. Você acorda de manhã e vai atrás de dinheiro, assim você tem o que fazer. Assim você escapa dessa angústia existencial de não saber quem é.
Nós estamos trabalhando para mudar esse paradigma. Estamos trabalhando para que você possa se mover no mundo a partir da confiança e não do medo. Para que você possa se mover no mundo sabendo que Deus está te guiando e que ele supre as suas necessidades. Quando você coloca Deus em primeiro lugar ele supre todas as suas necessidades. Você não dedica a sua vida a conquistar coisas, você dedica a sua vida a se tornar um canal de Deus; um canal do amor divino. E tudo que você precisa chega para você. Deus te dá o que você precisa, na hora em que você precisa. E é claro que esse fenômeno se dá através de você mesmo.
Aqui no ashram nós estamos colocando em prática esse ensinamento. Estamos trabalhando nessa esfera da entrega a Deus; na esfera da confiança. Eu confio que Deus vai dar o que eu preciso. Eu não quero estar aqui preocupado com a conta de luz que eu vou ter que pagar. Mas, o dinheiro chega através das dakshinas. Dakshina é um sistema védico criado pelos sábios a milhares de anos. Quando o estudante chega, ele dá uma dakshina para o mestre. Quando ele vai embora também. Mas, as vezes você sente vontade de dar enquando está aqui. Dakshina é um dinheiro que você dá como uma oferenda a guisa de respeito à lei do pagamento. Porque, embora Deus esteja em primeiro lugar, nós estamos na Terra e aqui assim como em todos os planetas existem determinadas leis que precisam ser respeitadas. Uma das leis é a lei do pagamento. Essa lei é verdadeira em todos os sentidos e em todos os planos.
Eu já disse que se você quer realmente completar a sua purificação do eu inferior há um preço a ser pago. Não é em dinheiro. O preço é nada de autocomiseração; nada de piedade com a mentira. Nada de piedade com o seu falso eu. Você não pode comprar um edifício maravilhoso por um preço de um barraco. Isso é verdadeiro também no plano psíquico. No plano material, essa lei se manifesta na relação com o dinheiro. A lei do pagamento significa ceder no valor do outro. É quando, ao invés do medo e da avareza usar o dinheiro, quem usa é o coração, o amor, o Ser. O dinheiro é neutro, é um instrumento que caracteriza a troca. Então se o eu idealizado, através do medo e da avareza, usa o dinheiro, vai gerar sofrimento. Se o amor usa o dinheiro, vai gerar prosperidade em todos os sentidos. No ocidente, normalmente eu sugiro um valor para os retiros e grupos de estudo justamente para te ajudar a se harmonizar com a lei do pagamento. Eu estou te ajudando a fazer essa transição do medo para a confiança. Mas, ninguém nunca deixou de fazer um grupo por causa de dinheiro. O obstáculo não é o dinheiro, mas sim a ignorância. Se você chega conscientemente dizendo qual é a sua situação e perguntando como eu posso te ajudar, então eu vou poder ajudar.
Eu quero que você coloque Deus em primeiro lugar e que o dinheiro seja uma conseqüência. Isso somente vai acontecer quando você ceder na lei do pagamento; quando você puder ceder no valor do outro. Quando você puder dar com alegria. Você dá e fala “Seja feliz e faça bom uso”. Mesmo se algum dia eu me tornar milionário eu sempre vou ter que cobrar de você. Alguma coisa eu vou ter que fazer com esse dinheiro, talvez doar para caridade, mas eu preciso te ajudar a fazer essa transição do medo para a confiança. Porque enquanto for vitima do medo, você está condenado a ser pobre. Porque o medo da pobreza em você atrai a pobreza. Isso é uma lei psíquica. Aquilo que você mais teme você atrai. Existe uma lei que determina que todas as falsas construções, ou seja, aquelas construções feitas através do eu idealizado e da máscara e não tem lastro no coração, um dia vão ter que cair. Toda a riqueza que você cria para fugir da pobreza um dia vai ter que ir embora porque você vai ter que encarar esse medo da pobreza. E somente quando superar esse medo é que você vai ser rico. E ficar rico não significa ter um monte de dinheiro na conta, significa você não ter que se preocupar com o dinheiro. Isso é ser rico. Isso somente é possível com confiança.
Eu nunca me preocupo com dinheiro. O dinheiro vem. Mas, é assim que eu trabalho: a dakshina chega e eu pago as contas. Os grupos trazem dinheiro também. Isso é importante eu falar porque tem pessoas que acham que eu não devo cobrar. As vezes eu viajo do Brasil até o pais da pessoa e ela acha que não tem que pagar; que eu tenho que dar tudo de graça e que ainda tenho que pagar a minha viagem. Isso é ignorância. Na verdade você não está compreendendo a lei do pagamento. Você não está compreendendo que essa sugestão de valor que estou dando é a minha misericórdia para você se ajustar com a prosperidade. Eu quero que você seja próspero e que não se preocupe com o dinheiro porque você esta vindo para o meu coração; você esta se tornando um curador. Eu quero que você receba tudo que precisa. Não quero que você se preocupe se vai ter ou não. Eu quero erradicar da sua alma o medo da pobreza e da escassez porque é ai que se sustenta a miséria humana. Todos podem ser prósperos. No mundo de Deus não existe falta de nada. E tem gente que fica fazendo conta de quanto eu ganho para ver o que vou fazer com aquele dinheiro. Isso não é o seu problema. Esse é o meu problema. Se eu vou comprar carros, casas; se vou dar dinheiro para um monte de gente… Isso é o meu problema. Mas, hoje o dinheiro está sendo todo usado ao seu favor. Eu estou construindo espaços para vocês. Eu quero que você tenha conforto quando for me visitar porque a obra cresceu muito e a estrutura não acompanhou. Eu estou querendo construir salão e quartos para vocês terem onde ficar. Ai esta a minha energia. Tudo que eu recebo é para vocês. Você me dá doces e frutas e eu te dou tudo de volta. Você me dá dinheiro e eu devolvo para você.
Aqui a única coisa que eu uso é um doti. Eu como um mingau de manhã, um arroz com vegetais ao meio dia e uma sopa a noite. No ocidente eu uso uma calça jeans e uma camiseta. Eu não preciso de nada. Eu sou um sadhu. Um sadhu um pouco diferente porque estou fazendo essa ponte entre o ocidente e o oriente. Eu não uso doti no ocidente porque vou chamar muita atenção e não quero isso. Eu quero o máximo de simplicidade para a minha vida.
Eu quero oferecer o melhor para você. O meu gosto é muito simples: eu gosto só do melhor. Eu quero que você se liberte de qualquer medo da pobreza e da escassez. Eu quero que você compreenda que é um herdeiro das glórias eternas. Uma vez eu fui até o Maharaj ji e ele disse que nós precisávamos construir um salão novo e eu disse: “Mas, eu não tenho dinheiro”. Ele disse para eu não me preocupar que Deus daria o dinheiro. O dinheiro veio e nós construímos um novo salão que já está pequeno. (risos) Nós vamos ter que construir outro, mas isso é o que trás sentido para a nossa vida: criar condições para o outro ser feliz. Senão, o que fazer aqui?
Você realiza essa transição e se harmoniza com as leis da prosperidade quando em primeiro lugar você coloca os seus talentos e dons a serviço do divino. Esse é o básico, a fase zero. Devagarinho você verá que Deus está trabalhando através de você. Deus é um bom patrão, mas ele paga somente o que você precisa. O que você precisa ele te dá.
Porque você acha que está acontecendo essa crise financeira no mundo? Não é justamente o reflexo do trânsito do medo para a confiança? Como eu disse, se a construção não tem lastro no coração, ela vai ter que desabar para recomeçar a partir da verdade.
Acho que nós podemos concluir a nossa conversa nos perguntando: quem em mim quer dinheiro e para quê? Eu estou em harmonia com a lei do pagamento? Eu estou colocando Deus em primeiro lugar? Se a resposta for negativa, vá atrás do não nessa área da sua vida. Vá atrás de identificar a corrente de negação que existe na sua vida financeira. O não na área financeira geralmente utiliza o medo e a avareza. E normalmente há muitas imagens porque você deu ao dinheiro um valor que não é exatamente o real. Você deu um valor emocional de acordo com os traumas e choques que viveu no passado. Você agregou um valor emocional para o dinheiro e por isso ele se tornou tão problemático na sua vida. Você tem que primeiro purificar essas imagens do seu sistema para entender o dinheiro como um instrumento que está a serviço do Eu divino para dar o que você precisa e para você não ter que se preocupar. Para que você possa realizar a sua jornada sem se preocupar. É assim que eu lido com essa questão.
No mundo de Deus não há falta. Eu estou trabalhando para que você venha para esse mundo. Estou trabalhando para que você possa experienciar Deus para que ele não seja somente uma crença. Mas, para que você possa ter uma experiência direta de Deus. Porque se você tem essa experiência você perde o medo da escassez e da morte. Se você tem uma experiência direta de Deus e se livra do medo da escassez e da morte você se liberta da mentira e assim você ascende para os reinos superiores. Os portais nos planetas celestiais se abrem para você.”
Sri Prem Baba

Satsang Stockholm 2009

Temas: O que é espiritualidade?
Vamos conversar um pouco sobre espiritualidade e sobre o processo do despertar da consciência. Sempre que eu utilizo a palavra espiritualidade, quero me referir à realidade no seu aspecto mais objetivo.
A mente humana, muito comumente utiliza um mecanismo de imaginar histórias a respeito daquilo que ela vê. Este processo de imaginação é o mesmo que sonhar acordado. Então é comum que se imagine algo a respeito daquilo que você acredita que é. E imagine também aquilo que você veio fazer aqui. E esta imaginação inevitavelmente gera sofrimento. Portanto, espiritualidade é o acesso à realidade, ou seja, aquilo que está além da imaginação. Que é o que te liberta do sofrimento.
Outro sinônimo possível é Verdade. A Verdade irrefutável, aquilo que é. É o que sobra após você remover todas as crenças. Todos os conceitos e preconceitos. Todo o tipo de interpretação imaginativa. Quando toda esta imaginação é removida, o que sobra é o que chamamos de Verdade. Verdade irrefutável que é sinônimo de realidade e também de espiritualidade.
Então vamos tentar falar sobre a verdade. É um grande desafio falar sobre a Verdade. Um desafio porque ela é uma experiência. E sempre é difícil traduzir a experiência em palavras. Como que você transforma em palavras a experiência do amor? Como você explica a alegria? Como você explica o êxtase? Como você explica a compaixão? A Verdade parece ser muito grande em relação às palavras que são pequenas. Mas podemos tentar usar as palavras como uma ponte. Uma ponta para a experiência. A experiência da Verdade.
Utilizamos as palavras para transitar de um estado de mente para um estado de não-mente. Conforme as suas perguntas vão sendo respondidas, sua mente vai se acalmando. Ela vai saindo do estado de ansiedade e começa a se acalmar. E se torna receptiva. Ai então é inundada pela consciência que produz a experiência da Verdade. A mente tenta entender a Verdade. Ela quer uma resposta racional e ela se agita em busca desta resposta, mas as respostas só chegam quando a mente se aquieta. E você compreende a verdade. É quando o conhecimento se transforma em sabedoria. O conhecimento só se transforma em sabedoria através da experiência. Você pode tentar entender o amor. Sua mente pode se agitar na procura do entendimento do amor. Você pode recorrer a muitas teorias. E pode você mesmo escrever muitas teorias sobre o amor. Mas você só saberá o que é o amor quando estiver amando. Quando se permitir viver a experiência. Enquanto você está no plano mental, no plano intelectual, tentando entender o amor, você está adquirindo conhecimento, mas em algum momento esse conhecimento precisará ser abandonado porque esse conhecimento são pensamentos. Mesmo que num primeiro momento eles sirvam pra te colocar no caminho, chega o momento em que ele precisa ser abandonado para abrir espaço para a experiência. Para que o conhecimento se transforme em sabedoria. Se o conhecimento não cumpre a sua meta que é ser uma ponte da sabedoria, ele começa a te intoxicar.
Satsang pode significar várias coisas. Sentar em boa companhia, estar junto a um sábio e receber dele os ensinamentos. Pode significar também encontro com a verdade. Mas numa forma mais profunda, satsang é a experiência da Verdade. Sentar junto ou mesmo receber o conhecimento, os ensinamentos é somente um jogo, um jogo divino que favorece a experiência da Verdade. Pouco a pouco sua mente vai se aquietando. E sua consciência se manifesta.
Assim a verdade só é possível através da experiência direta. Ninguém pode lhe dar a verdade. Eu não posso lhe dar a verdade. Eu posso abrir um caminho, mas só você pode experienciar a verdade. É você com você mesmo. Em outras palavras, a iluminação começa quando a imaginação cessa. A iluminação é o reconhecimento da sua verdadeira natureza. Este reconhecimento gera alegria sem causa. Gera paz. Paz sem causa. Não depende de nada lá fora. É isto que você está buscando. Todo o ser humano está em busca da paz, mesmo que não saiba disso. Mesmo sem saber, você está em busca deste estado que é um estado de completude. Você se sente pleno. Nada falta. Esse preenchimento promove paz independentemente do que está acontecendo lá fora.  
Então, consciente, ou inconscientemente, todos estão em busca deste estado iluminado porque ele trás este sentimento de plenitude e conseqüentemente a paz. Mas este estado tão procurado, só começa quando a imaginação cessa.
Para a imaginação cessar se faz necessário limpar o lixo da mente. Este lixo são conceitos, preconceitos, crenças, idéias ou ainda sentimentos negados, suprimidos que nada mais são do que pensamentos que se transformaram em sentimentos e que, ao serem negados, agem como pedras que impedem o fluxo da consciência.
O ser humano está encantado com sua história, com aquilo que ele acha que é. Deste encantamento nasce a imaginação. Você não quer acordar deste sonho. Enquanto você está dormindo, tendo um sonho, você quer acordar? Não? Mesmo quando o sonho é ruim e tem uma parte em você que quer acordar, você não acorda. Não é assim? Quando você está sonhando você acredita que seu sonho é realidade. Só quando você acorda é que descobre que era um sonho. Por isso que você, que é um buscador espiritual e está em busca da paz, deve dedicar toda sua energia para despertar deste sonho. Deve colocar sua energia em acordar e largar a imaginação. Isso só é possível quando a mente se aquieta, quando você se coloca completamente presente, aqui e agora. Quando você se torna uma testemunha silenciosa de tudo que acontece ao seu redor. Esta testemunha silenciosa não julga o que vê, somente observa.
Assim a observação é a principal chave a ser utilizada para atingir este estado de não mente. Transforme o conhecimento da observação em sabedoria. Permita-se experienciar a observação. Isso somente é possível através da prática.
Quando você olha pra algo, automaticamente você transforma esta imagem em palavras, em pensamentos. Entre você e aquilo que você está vendo tem uma tela de julgamentos, conceitos, rótulos. Isso impede que tenha uma percepção objetiva do que está vendo. Você olha com lentes coloridas. É isso que eu chamo de imaginação. Estes óculos coloridos precisam ser retirados para que você tenha acesso à realidade espiritual que é aquilo que é, sem nenhuma interpretação da sua mente carregada de conhecimento emprestado.
Então, estou dizendo que a chave número 1 é a prática da observação.     
A chave número 2 é a totalidade na ação. Você se coloca total na ação através do corpo, através da percepção de que você está ocupando o corpo. É assim que você aquieta o pensador compulsivo que é aquele que esta transformando em palavras tudo que vê.
Através da observação e da totalidade na ação é que você vai ampliando sua percepção. A ampliação da percepção vai diminuindo a imaginação. Esta é a essência do que você pode fazer. É a essência da prática espiritual.
Enquanto você se percebe repetindo uma trilha na sua mente, tome consciência do conteúdo dessa trilha. Se ela está se repetindo, significa que há algo no seu passado que você ainda não aceitou. Então você precisa de um trabalho de cura para entrar em contato com mágoas e ressentimentos. Elaborar estes sentimentos negados até que eles sejam integrados e com isso que você possa se libertar do passado e conseqüentemente, se libertar das trilhas que se repetem. Este é o caminho que eu chamo o caminho da meditação que se divide em dois aspectos, a meditação no vazio, focalizada, que é o ancoramento da presença através da observação e da totalidade na ação e a meditação investigativa ou analítica que é o confronto com estas partes negadas que estão reprimidas nos porões do inconsciente. Que é o trabalho de purificação e transformação do eu inferior que também chamamos de criança ferida. É um trabalho de cura. Estas duas modalidades de meditação compõem o que eu chamo de o caminho da meditação. Algumas pessoas vão deixar a imaginação e vão realizar a paz através deste caminho. Algumas pessoas vão deixar de imaginar e vão realizar a paz através de outro caminho que eu chamo o caminho do amor que é através da devoção. A essência do caminho do amor é a renuncia dos frutos da ação. É fazer com que cada ato seja uma prece ao Senhor. Mas pra isso é imprescindível que você tenha tido um vislumbre de Deus através de um mestre espiritual ou de alguma outra manifestação divina. No caminho do amor você trabalha pra se entregar a esta manifestação. É um caso de amor. O amor vai crescendo e crescendo a ponto do dois transformar-se em um. No caminho do amor, tudo que você faz é para Deus. Você acorda para ele, você toma banho para ele, você se alimenta para ele, trabalha para ele, canta para ele. Porque você teve um vislumbre do eterno, você teve um vislumbre da verdade. Você viu que por ali é o caminho. Se você pode ter sido tocado ao ponto de reconhecer uma manifestação divina, você vai colocar sua mente focada nesta manifestação. Você vai colocar seu coração focado nesta manifestação divina. Sendo uma manifestação divina, a mente está liberada, o coração está liberado. Se você conecta sua mente com uma mente liberada, sua mente se liberta. Se você conecta seu coração com o coração liberado, seu coração se libera.
Este caminho é mais rápido. Mas, alcançar possibilidade de trilhar este caminho, é imprescindível que você tenha tido um vislumbre do divino, caso contrário não vai funcionar. Senão pode-se criar um fanatismo místico. Você pode criar ainda mais imaginação, mais fantasia.
Eu digo que, em algum momento, o caminho da meditação e o caminho do amor se encontram, inevitavelmente. Porque quando você acorda, você se percebe como uma testemunha silenciosa, que ama a divindade que se manifesta em tudo e em todos. E você percebe claramente que você só está encarnado para servir esta mesma divindade. Então você experiencia que o Sanatana Dharma, que é a essencial natureza da vida, é amor e serviço desinteressado.
Com isso, você utiliza os talentos, os dons, que são presentes que você trouxe para dar ao mundo, como veículos para a expressão deste amor, para servir ao divino. E quando você se coloca a serviço, utilizando seus talentos e dons para propiciar o despertar do outro, você experiencia a alegria e se sente completo porque você sabe para quê acorda de manhã e sente alegria de acordar de manhã. E a alegria que vem desta compreensão e pelo fato da luz estar passando por você para que seja dada ao outro, proporciona paz.  
Talvez o aspecto centrar da imaginação gerada pela identificação com o falso eu é que você precisa receber de fora. Você precisa receber amor, atenção, reconhecimento. E é somente quando esta imaginação cessa e você tem acesso à verdade, é que você descobre que a paz só vem quando você dá, não quando você recebe. A alegria está em se reconhecer como uma fonte de doação. Você é esta fonte de doação, uma fonte inesgotável de amor. Mas, por conta da sua imaginação, você acredita que precisa receber. Na sua fantasia, você é uma criancinha que não tem nada e precisa que o outro lhe dê. Porque sua mente ficou identificada com o passado. Seu corpo emocional age como uma criancinha que precisa de amor exclusivo.
É somente quando você se liberta desta necessidade infantil de ser amado exclusivamente é que você pode experienciar a realidade que é tudo que você precisa, você já tem em abundância e pode inclusive partilhar com os demais.
Eu vejo que o principal pilar da imaginação, que nasce da identificação com o falso eu é a idéia de que você precisa ser amado exclusivamente. Esta idéia ou imaginação é como uma doença, uma doença grave, que precisa ser curada. Ela gera todo o tipo de distração, todo o tipo de jogos de acusação e de culpa que geram todo o tipo de miséria no mundo. Toda a miséria neste mundo é causada por esta distração. Distração no sentido de você se distrair pra não olhar para aquilo que precisa ser olhado que é esta identificação com esta idéia. A idéia da escassez, a idéia de que você não tem e que o outro precisa te dar. Em outras palavras isto chama-se ilusão. Isso não é espiritualidade. Como eu comecei a conversa de hoje, espiritualidade é sinônimo de realidade. Trilhar o caminho espiritual é trilhar o caminho da realidade. É ampliar cada vez mais a percepção de si mesmo, a ponto de reconhecer que você, em si mesmo, é a fonte do amor. E é o reconhecimento desta verdade que proporciona aquilo que você tanto busca que é a paz.
Eu tenho dito que o ser humano passa vida querendo ser a pedra mais preciosa, querendo que o outro reconheça que ele é a pedra mais preciosa, mas ele já é um diamante. Ele já é a pedra mais preciosa. Mas, por conta desta imaginação, ele se acha um pedregulho. E ele faz, faz, faz, faz tanta coisa pra ser a pedra mais preciosa. Não é uma questão de fazer, é uma questão de deixar de fazer, deixar de imaginar para que a sua percepção se amplie. Mesmo o que eu propus, que é a meditação ou a devoção, é somente um truque para que você deixe de fazer, deixe de imaginar. Porque eu sei que você ainda precisa desse truque. Porque a linguagem do silencio e da espontaneidade foi esquecida.
Que você possa se lembrar dessa linguagem. Que você possa ampliar cada vez mais a sua percepção a ponto de perceber-se como esta fonte inesgotável de doação. Fonte de tudo que é bom, alegre e próspero. Eu rezo para que estas palavras ecoem nos seus corações e que você as coloque em prática. Que transforme este conhecimento transmitido em sabedoria. É assim que você recebe o que estou transmitindo, do contrário, o que estou transmitindo apenas volta pra mim.
Em dado momento, a necessidade desta experiência espiritual se torna tão grande. A sede e a fome de Deus se torna tão grande que você acaba as vezes largando tudo e indo atrás dela em algum lugar, atrás de um mestre, um ashram, uma escola espiritual. E se o karma não permite que você faça isso, você sofre porque você precisa da água da vida, mas não pode ir até a fonte pra encontrá-la. É por isso que estou passando por aqui, para matar a cede de alguns. Pelo menos dando um pouco de água e alimento. Apenas uma passagem rápida de algumas horas que alimenta aqueles que aqui vieram e que, de alguma forma eu sei que vai irradiar para outros.
Se por algum motivo você não quer vir até aqui fazer pranam, você não precisa fazer, é só vir que eu te dou prasad. Prasad é um presente, é uma benção na forma de alimento.
Abençoado seja cada um de vocês. Receba a benção que te ajuda a reconhecer a sua verdadeira natureza. Até o nosso próximo encontro.
NAMASTE
Sri Prem Baba



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SATYA PREM


"O corpo é uma experiência, é um estado. Do ponto de vista medieval, é um estado sólido de ser. Já do ponto de vista da física moderna, é um estado atômico, energético. Uma versão mais fluída, digamos, e que já decompõe a ideia da morte, por exemplo.

Há certo anacronismo intelectual no mundo, as pessoas estão no século vinte e um, mas pensam como se pensava no século dezessete. Apesar de muito já ter sido desvendado, a morte continua tão amedrontadora quanto naquela época.

Mas o que é a morte? Quem é que morre? O que é que morre?

Outro dia li uma piada que vem a calhar nesse momento. O menino chegou para uma bela garota no bar e perguntou: "Você gosta de água?" Ao que ela respondeu "Sim, gosto".
E o menino continuou: "Então já estamos meio caminho andado, porque você gosta de 70% de mim."

O que isso quer dizer? Esse corpo, que você defende como sendo "você", é composto por 70% de água. Não tem "você". O "você" que existe, é um "você psicológico" – e é esse que teme a morte.

Isso acontece porque, sendo este um "você" imaginado, ele precisa ser pensado. Sem pensá-lo, ele morre. "Penso, logo existo" – afirmou Descartes. O que nos sugere, em nosso contexto, que "sem pensar, você não
existe". Já pensou sobre isso? (...)


Um dia, perguntaram a Ramana Maharshi: "Que livro posso ler para encontrar a mim mesmo?" Ramana, prontamente, respondeu: "Nenhum. A única coisa que você pode fazer é entrar para dentro de si e ler, completamente, a si mesmo. Depois que você encontrar a si em si mesmo, pode ler o que quiser."

Não sei quanto a vocês, mas é disso que compartilho.
Leia a si mesmo de todas as maneiras possíveis. Custe o que custar. Fique cara a cara com aquilo que foi imposto sobre você como verdade.

Você é jovem? Você é velho? Homem? Mulher? Stop! Por que você está sempre sendo alguma coisa? Estamos detidos no 'ser alguma coisa' sem nos darmos conta do que há anteriormente a qualquer coisa.

Remova os 'issos' e os 'aquilos' e veja a consistência do eu, veja que peso tem esse pronome antes do verbo.
Por fim, remova o "eu" e fique com o SER."

Um comentário:

  1. Pleno acordo com o artigo, conhecendo a nós mesmo saberemos quem é o outro,. Parabéns pela postagem.
    Levy

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